ABLPP https://ablpp.com.br Academia Brasileira da Língua Portuguesa Padrão Wed, 07 Jan 2026 11:30:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://ablpp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/cropped-retrto-Photoroom-32x32.png ABLPP https://ablpp.com.br 32 32 A Vírgula com termos pleonásticos https://ablpp.com.br/a-virgula-com-termos-pleonasticos/ Wed, 07 Jan 2026 11:29:44 +0000 https://ablpp.com.br/?p=2052 Caríssimo leitor,

Neste artigo, farei uma explanação acerca da vírgula com termos pleonásticos.

A vírgula com termos pleonásticos

A vírgula é um sinal de pontuação que suscita uma atenção toda especial ao usuário da língua, notadamente quando o seu uso se insere em algum dos casos em que ela é abordada parcimoniosamente, tal como ocorre com a vírgula – nem sempre empregada – no caso do pleonasmo sintático. Contudo, cabe-nos, de antemão, tecer explicações sobre o que é pleonasmo e, mais especificamente, o que é o pleonasmo sintático.

Há certo consenso em afirmar que pleonasmo é o emprego, consciente ou inconsciente, de expressões não necessárias, por já estar o seu significado contido em outras da mesma construção.

O pleonasmo pode constituir uma figura de sintaxe, quando empregado com o fito de realce ou expressividade, por exemplo: “Ouvi com meus próprios ouvidos” e “O dinheiro, quase todos o desejam muito”; e um vício de linguagem, quando ele encerra uma repetição inútil e antiestética, como em: “O balão subiu para cima” e “Ele teve uma hemorragia de sangue”. Nestes casos, ele é chamado de tautologia ou perissologia. Entretanto, o nosso foco está no pleonasmo sintático, no que tange ao emprego da vírgula. Por isso, cabe-nos, em primeiro lugar, explicar o que é pleonasmo sintático e examinar o uso da vírgula.

Como se sabe, é possível ao usuário da língua repetir um termo da oração, como o objeto direto, o objeto indireto ou o predicativo do sujeito, por meio de um pronome pessoal oblíquo átono (ou tônico) e, no caso do predicativo, por meio de um demonstrativo neutro (o = isso). Tal pronome formará um termo pleonástico, ou melhor, um pleonasmo sintático. Veja:

  1. Os livros de retórica, o professor os comprou na feira.
  2. Aos amigos de infância, envio-lhes meu cartão.
  3. Sinceras, as pessoas não o são em grande parte das vezes.

Observe-se que os termos “Os livros de retórica”, “Aos amigos de infância” e “Sinceras” são recuperados, respectivamente, pelos pronomes “os”, “lhes” e “o”, que funcionam como objeto direto, objeto indireto e predicativo do sujeito pleonásticos.

Quanto ao uso da vírgula, note-se que os termos recuperados, que estão no início da construção, recebem a vírgula depois deles.

Cabe ressaltar que os termos mais abordados nos livros são os mencionados, principalmente os dois primeiros; todavia, potencialmente, nada impede que existam outros termos pleonásticos, consoante tentaremos mostrar nestes exemplos, levando-se em consideração a gramaticalidade e a semanticidade.

  1. Os nossos pais, eles vivem em nossa memória.
  2. Aos velhos amigos, o jogador lhes é eternamente grato.
  3. Pelos próprios parentes, o artista será recebido por eles ao voltar da viagem.
  4. Com alguns familiares, a cantora viajará com eles à Europa.

Note-se que a vírgula é empregada depois do termo, o qual é recuperado pelo pronome pessoal formador do pleonasmo sintático: no  primeiro exemplo, o sujeito pleonástico é o pronome “eles”; no segundo, o complemento nominal pleonástico é o pronome “lhes”; no terceiro, o agente da passiva pleonástico é o termo “por eles”; no quarto, o adjunto adverbial pleonástico é o termo “com eles”.

Cumpre lembrar que a retirada da preposição transforma os termos iniciais em vício ou figura de sintaxe, cujo nome é anacoluto, visto que passa a haver falta de conexão com o restante da frase, ou melhor, os termos ficam soltos no início. Apesar disso, cada vírgula deve ser mantida. Observe:

  • Os velhos amigos, o jogador lhes é eternamente grato.
  • Os próprios parentes, o artista será recebido por eles ao voltar da viagem.
  • Alguns familiares, a cantora viajará com eles à Europa.

Empregue a vírgula e justifique com a numeração proposta:

  1. Sujeito pleonástico;
  2. Objeto direto pleonástico;
  3. Objeto indireto pleonástico;
  4. Predicativo do sujeito pleonástico;
  5. Complemento nominal pleonástico;
  6. Agente da passiva pleonástico;
  7. Adjunto adverbial pleonástico;
  8. ( ) “Os primeiros dias de casamento Leonor passou-os no quarto.” (Daniela Nogueira)
  9. ( ) O professor ele está de atestado hoje, por estar gripado.
  10. ( ) “Os sinos já não há quem os toque.” (Alexandre Herculano)
  11. ( ) Aos nossos mestres e educadores somos-lhes gratos para sempre.
  12. ( ) Ao sítio da família os filhos irão até lá em breve.
  13. ( ) “A vida ela passa depressa quando se vive intensamente.”
  14. ( ) Dignos de apreço os nossos pais sempre o foram.
  15. ( ) Aos convidados os noivos enviaram-lhes vários convites.
  16. ( ) Pelos seus torcedores o time vencedor foi aplaudido por eles.
  17. ( ) Aos bons princípios os educadores se referem a eles.
  18. ( ) O bom comportamento o educador aludiu a ele.
  19. ( ) Professora minha mãe o fora por mais de trinta anos.

 

Gabarito das regras

  1. 2
  2. 1
  3. 2
  4. 5
  5. 7
  6. 1
  7. 4
  8. 3
  9. 6
  10. 3
  11. 8
  12. 4

 

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Alterações gráficas ao utilizar-se o sufixo ÍSSIMO https://ablpp.com.br/alteracoes-graficas-ao-utilizar-se-o-sufixo-issimo/ Wed, 07 Jan 2026 10:50:15 +0000 https://ablpp.com.br/?p=2050 Olá, amigo leitor,

Neste artigo, conversarei com você sobre algumas mudanças gráficas as quais ocorrem com determinados adjetivos quando recebem o sufixo íssimo(a), indicando o superlativo absoluto sintético.

Essa mudança de grafia, ocorre nos seguintes casos:

a) nos adjetivos terminados em a, e, o, perdem-se as vogais:
cuidadosa – cuidadosíssima
inteligente – inteligentíssimo
sério – seriíssimo (seríssimo). 

b) nos adjetivos terminados em vel, muda-se o sufixo vel por bil:
amável – amabilíssimo
terrível – terribilíssimo
possível – possibilíssimo 

c) nos adjetivos terminado em m e ão, substituem-se o m  por n e o ão por an:
comum – comuníssimo
são saníssimo
vão vaníssimo

d) nos adjetivos terminados em z, troca-se a letra z pela letra c:
veloz – velocíssimo
atroz – atrocíssimo
sagaz – sagacíssimo

Com esta rápida explanação, tenho a certeza de que não cometerá erros na grafia ao fazer uso do sufixo ÍSSIMO nos adjetivos.

Até o próximo artigo

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Obra 03 https://ablpp.com.br/obra-03/ Wed, 19 Nov 2025 17:54:27 +0000 https://ablpp.com.br/?p=2014 da5ef7e_redacao-de-teste

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Obra 02 https://ablpp.com.br/obra-02/ Wed, 19 Nov 2025 17:52:33 +0000 https://ablpp.com.br/?p=2012 da5ef7e_redacao-de-teste

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Obra 01 https://ablpp.com.br/obra-01/ Wed, 19 Nov 2025 17:34:25 +0000 https://ablpp.com.br/?p=2008 da5ef7e_redacao-de-teste

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Concordância com a expressão Haja vista https://ablpp.com.br/concordancia-com-a-expressao-haja-vista/ Fri, 17 Oct 2025 17:46:26 +0000 https://ablpp.com.br/?p=1934 Por professor Tarcísio Cavalcante

Estimados leitores,

Neste breve artigo, apresento-lhe a concordância com a expressão HAJA VISTA.

Nesta expressão, a palavra vista fica invariável, como nos exemplos a seguir:
1. A situação é grave, haja vista o incidente de ontem.

2. O diretor não possui qualificação para o cargo, haja vista sua última decisão.

3. O transporte de carga não é confiável, haja vista os desastres ocorridos.

4. O atleta merece o valioso prêmio, haja vista suas últimas conquistas.

É também da norma padrão a concordância do verbo haver com o substantivo que se segue à palavra vista. Exemplos:
1. Aquele filósofo é merecedor de encômios, hajam vista seus doutos conhecimentos.

2. O professor merece elogios, hajam vista suas valiosas preleções.

Obs.: A forma haja visto, popularmente proferida, não é da norma padrão da língua e, por isto, deve ser evitada

 

 

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Classificação das palavras https://ablpp.com.br/classificacao-das-palavras/ Tue, 23 Sep 2025 20:08:45 +0000 https://ablpp.com.br/?p=1626 Ainda a classificação das palavras

Pode-se afirmar, sem ser tachado de exagero, que, desde a época do Estagirita até à do inglês John Lyons, a classificação das palavras tem sido objeto de estudos e análises por parte de filósofos, de filólogos e de linguistas renomados, o que levou os últimos a criar critérios de classificação.

A criação de tais mecanismos linguísticos se deve, sobretudo, ao fato de esses estudos oferecerem algumas dificuldades aos incipientes, aos insipientes e, de certa forma, até aos mais versados, quando feitos sem critérios.

Sem nos determos em minúcias, com o escopo de não sermos prolixos, cabe-nos afirmar que, na classificação de palavras da língua portuguesa, devemos ter por base a forma, a função e o sentido ou todos esses componentes juntos.

Cônscios disso, tecemos uma reflexão sobre certas palavras.

Na frase “Os homens justos serão salvos”, justos funciona como adjetivo, pois está qualificando o substantivo “homens”. Porém, na frase “Os justos serão salvos”, a ausência do substantivo faz que o adjetivo se substantive.

Na oração “Votamos contra o ex-prefeito”, “contra” funciona como uma preposição, contudo em “Votamos contra”, a palavra contra é classificada como advérbio, uma vez que modifica o verbo, ocorrendo uma adverbialização.

No período “Comprei um caderno”, o “um” funciona como artigo, mas em “Comprei só um caderno”, o “um” passa a ser um numeral, devido à presença do “só”, com o sentido de “somente”.

Observe-se: se alguém escreve estas frases: “Comprei um caderno e duas revistas” e “Em casa, um estudava; o outro brincava”, na primeira frase, a palavra “um” funciona como numeral, em decorrência do paralelismo com o numeral “duas”; na segunda, a palavra “um”, devido ao paralelismo com “o outro”, é classificada como pronome.

A palavra “hoje” normalmente pertence à classe dos advérbios, como em “Hoje iremos ao parque”, entretanto, nesta outra “A mulher de hoje é mais atuante”, “hoje substantivou-se devido à preposição de. É bom lembrar que preposição também pode substantivar, e não somente o artigo.

Atente-se para a seguinte frase: “Conheço aquela casa perto da fazenda”. Na construção anterior, a palavra aquela é classificada como pronome demonstrativo. No entanto, se algum concurseiro afirmar “Se eu passar, vou fazer aquela (=uma boa) feijoada!”, a palavra em questão terá valor qualificativo, perdendo a noção de lugar.

Um dos casos mais dignos de nota é o relativo à palavra agora. Observe estas construções:

  1. O convidado chegou agora.
  2. Agora estou escrevendo a frase “b”.
  3. Agora vou estudar para a prova.
  4. Quero viajar, agora estou sem dinheiro.
  5. Você agiu errado, agora aguente as consequências.

Não é preciso contextualização para se perceber que, nas três primeiras construções, o agora funciona como advérbio, conquanto apresente uma leve mudança de sentido. Nas duas últimas, nota-se o valor de conjunção coordenativa, respectivamente, adversativa e conclusiva. Contudo, diverso de todos os anteriores é o “agora” deste pequeno trecho do conhecido poema drummoniano : “E agora, José?”

Cumpre ressaltar que nem sempre o artigo substantiva, como se nota neste período: “Cumprimentei o mestre, e o meu colega fez o mesmo”. Como se observa, a palavra mesmo não está substantivada, visto que tem o sentido de a mesma coisa (=pronome demonstrativo neutro). Convém lembrar que não é bom português escrever “Ele visitou o amigo. O mesmo estava doente”, como se vê frequentemente. Nesse caso, deve-se usar que, o qual, este.

Talvez um dos casos mais estrambóticos seja o da palavra “então”, como ocorre no exemplo seguinte: “- Penso, então existo”, disse o então precursor do Cartesianismo. É patente que, na construção anterior, ambas as palavras não têm o mesmo sentido, muito menos a mesma classificação.

Das ponderações feitas até aqui, pode-se chegar à conclusão de que a classificação das palavras vai além do conhecimento de alguns critérios, exigindo do estudioso observação acurada e percepção linguística.

Classifique as palavras em destaque nas frases seguintes com a utilização dos números propostos:

  1. Substantivo
  2. Adjetivo
  3. Artigo
  4. Numeral
  5. Pronome
  6. Verbo
  7. Advérbio
  8. Preposição
  9. Conjunção
  10. Interjeição
  11. (   ) “Contente o padre examina o povo.” (Olavo Bilac)
  12. (   ) “A Europa é sempre Europa, a gloriosa!…” (Castro Alves)
  13. (   ) “Mas que tens ? Não me conheces?” (Gonçalves Dias)
  14. (   ) “Minha mãe foi o que sou” (Augusto Gil)
  15. (   ) Malgrado o tempo nublado, a família foi à praia.
  16. (   ) Visto estar com dores, o atleta não jogou.
  17. (   ) “A filha crescia-lhes, que metia medo.” (Aluísio de Azevedo)
  18. (   ) “Cristo ! embalde morreste sobre um monte…” (Castro Alves)
  19. (   ) “Tinha passado o dia a atordoar-me…” (José de Alencar)
  20. (   ) “Os leitores estão curiosos por saber quem é ela.” (Manuel Antônio de Almeida)

Gabarito

  1. 2
  2. 1
  3. 5
  4. 5,5
  5. 8
  6. 8
  7. 9
  8. 7
  9. 8
  10. 6
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Classe Gramatical da Palavra QUE https://ablpp.com.br/classe-gramatical-da-palavra-que/ Tue, 23 Sep 2025 19:38:00 +0000 https://ablpp.com.br/?p=1624 Olá, amigo(a) leitor

Conversarei hoje com você sobre a classe gramatical da palavra QUE.

Muitas pessoas têm dificuldade em identificar, em uma frase, a classe gramatical do vocábulo QUE e, como consequência, o seu papel sintático e semântico.

Verifiquemos, portanto, as possíveis classes gramaticais do QUE (átono) e do QUÊ (tônico).

A palavra QUE pode pertencer as seguintes classes gramaticais:

  •  Pronome (relativo, interrogativo e indefinido)
    a) pronome relativo – QUE = QUAL
    “O país precisa de uma força jovem que possa impulsionar o progresso.”
    “O país precisa de uma força jovem a qual possa impulsionar o progresso.”
    b) pronome interrogativo – frases interrogativas diretas
    Que foi feito daquela obra?” 
    c) pronome indefinido – QUE = QUANTO(a)
    Que estratégias temos a seguir.” 
  • Conjunção (coordenativa, integrante e adverbial)
    a) coordenativa – (ideia de explicação – QUE = POIS)
    “Revisemos o texto rapidamente, que o editor está esperando para publicá-lo. ”
    b) conjunção integrante – (introduz uma subordinada substantiva)
    “Espero que todos estejam em paz.” 
    c) conjunção subordinativa adverbial (introduz uma subordinada adverbial)
    “Estava tão triste que não compareceu ao evento.”

  • Preposição – ocorre em locução (ter + que + infinitivo)
    “Temos que nos preparar para a prova.”
    “A comissão tem que analisar todos os currículos.”

  • Advérbio – QUE = QUÃO
    “Que lindos são esses versos.”

  • Expletivo ou realce – pode ser retirado da frase
    “Quase que cometo um grande erro.” – QUASE COMETO UM GRANDE ERRO.
    “É nas horas difíceis que conhecemos os amigos.” – NAS HORAS DIFÍCEIS, CONHECEMOS OS
    AMIGOS.

A palavra QUÊ pode pertence as seguintes classes gramaticais:

          a) Substantivo – (após artigo, pronome ou preposição)
              “Ela tem um quê de paraíso.”
“Esse quê na minha vida é a minha complicação.”
“Esse problema é recheado de quês.

          b) Interjeição
              “Quê! Você irá realmente de casar!”

Espero tê-lo(a) ajudado com este artigo

Até o próximo

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Emprego do pronome relativo CUJO https://ablpp.com.br/emprego-do-pronome-relativo-cujo/ Mon, 15 Sep 2025 20:48:27 +0000 https://ablpp.com.br/?p=1415 O pronome relativo cujo

Originado do idioma de Virgílio, cujo é um pronome adjetivo relativo, com o valor de do qual e flexões. Apresenta-se entre dois termos, denominados antecedente e consequente.

Tal pronome relativo indica a ideia de posse, com o possuidor expresso pelo antecedente; a coisa possuída, pelo consequente. No seu emprego, o antecedente e o consequente devem ser diferentes, ou melhor, não pode haver substantivo repetido: Comprei um livro cujas páginas são coloridas. De acordo com essa regra, não se pode dizer: Comprei um livro, cujo livro custou barato. Observe-se que o sujeito “cujo livro” pode ser permutado pelo pronome “que”, com o sentido de “o qual”.

O pronome cujo refere-se ao antecedente, porém concorda em gênero e número com o consequente: Fomos ao prédio cujos apartamentos são novos.

Cumpre lembrar que o cujo rejeita artigo, contudo aceita preposição conforme a regência de verbos e nomes:

  1. Conhecemos o bairro de cujas praças os casais gostam.
  2. Vamos ao sítio a cujas frutas fizeram alusão.

Sintaticamente, cujo funciona como adjunto adnominal, pois sempre concorda com o consequente. No caso da ocorrência de mais de um consequente, o pronome concorda com o primeiro deles: Aprovaram o candidato cujo retrato e documentação foram examinados.

Na linguagem atual, não se usa esse pronome como predicativo, com o sentido de “de quem”: O homem, cujo era esse caderno, saiu rápido.

Vale lembrar que a expressão “dito cujo”, de cunho popular, vai caindo no esquecimento, sendo mais usada com certo tom chistoso: Eis o dito cujo.

Na linguagem coloquial ou popular, é comum o emprego do pronome relativo “que”, destituído de função sintática, como substituto do cujo, sem que perca a função de conectivo oracional:

  1. Vi a aluna que conversei com o irmão dela.
  2. Fui ao sítio que gosto das frutas dele.

Como se percebe, o pronome “que”, o qual normalmente exerce uma função sintática, perdeu-a, formando um anacoluto como vício de linguagem, e não como uma figura de sintaxe, por estar sem um propósito estilístico.

As construções supracitadas possibilitam estas reescrituras:

  1. Vi a aluna com cujo irmão conversei.
  2. Fui ao sítio de cujas frutas gosto.

O fenômeno do acúmulo de preposições, representado pelos pares “por entre” e “por sobre”, pode vir regendo o pronome cujo, sem muita aprovação dos mais exigentes nas questões gramaticais, por exemplo:

  1. Consertaram a cerca por entre cujos arames passou um roedor.
  2. Visitamos a cidade por sobre cujos bairros voou o pequeno avião.

Apesar das dificuldades que acarreta ao usuário da língua portuguesa, esse pronome tem pontuado os textos que primam pela elegância e pela correção, podendo ser considerado um dos legítimos índices de conhecimento do idioma pátrio.

Complete as lacunas com o pronome relativo cujo:

  1. Existem árvores__________frutos são venenosos.
  2. O agricultor plantou algumas árvores__________frutos precisamos.
  3. Vamos elogiar o guarda__________ajuda nos
  4. Visitamos a igreja__________altar nossos pais se casaram.
  5. A virtude é uma essência__________perfume todos se deliciam.
  6. Conheço as pessoas__________nomes te lembraste.
  7. Conheço as pessoas__________nomes esqueceste.
  8. Os mestres são pessoas__________ordens devemos obedecer.
  9. Este é o amigo__________talento não posso atuar na peça.
  10. O político__________ideias atuei perdeu a eleição.

Gabarito:

  1. Cujos
  2. De cujos
  3. De cuja
  4. Em cujo
  5. Com cujo
  6. De cujos
  7. Cujos
  8. A cujas
  9. Sem cujo
  10. Contra cujas
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Rocha Lima https://ablpp.com.br/rocha-lima/ Sat, 13 Sep 2025 12:52:04 +0000 https://ablpp.com.br/?p=1313

CARLOS HENRIQUE DA ROCHA LIMA

Carlos Henrique da Rocha Lima nasceu na antiga capital da República, hoje cidade do Rio de Janeiro, aos 22 de outubro de 1915. Filho de Marcellino Pitta da Rocha Lima e Evangelina Ramos da Rocha Lima. Viúvo de Maria de Lourdes da Rocha Lima, teve três filhas e cinco netos.

Curso primário no Externato do Sagrado Coração de Jesus, em São Cristóvão, escola particular de grande prestígio à época. Estudos secundários, durante cinco anos, no (extinto) Internato do Colégio Pedro II, em cujo Externato completou o sexto ano, a fim de diplomar-se Bacharel em Ciências e Letras (turma de 1935). No ensino universitário, graduou-se Doutor em Letras, ao conquistar, na Universidade Federal Fluminense, o título de livre-docente em língua portuguesa.

Iniciou sua escalada em 1936, ao disputar com 23 candidatos, em concurso de provas, um lugar ao sol no magistério público da então Prefeitura do Distrito Federal. Classificado em segundo lugar – em chave com Antônio Houaiss (o primeiro lugar coube a outro amigo, Sílvio Elia) –, foi nomeado professor de português, latim e literatura do Ensino Técnico-Secundário, com exercício na Escola Visconde de Cairu (1938), e, depois, na Escola Paulo de Frontin (1941), para, finalmente, ser alcançado, por merecimento, ao Instituto de Educação (1947), onde contribuiu, por estirados anos, para a formação de numerosas turmas de normalistas.

Nesse mesmo ano de 1947, a convite de Guimarães Rosa (a quem só então conheceu pessoalmente), passou a reger a cadeira de português do Instituto Rio Branco, do Ministério das Relações Exteriores. Aí, também, deixou um pouco de si numa geração de diplomatas.

Ainda por essa época, integrou a Missão Cultural ao Uruguai, em cumprimento de Convênio Internacional. Anos mais tarde (1962-64), caber-lhe-ia, mais uma vez, divulgar a cultura brasileira em terras estrangeiras, quando exerceu em Londres a função de diretor da Casa do Brasil na Grã-Bretanha.

Em 1956, tornou-se catedrático de português do Colégio Pedro II, depois de concurso de provas e títulos, no qual se classificou em primeiro lugar, entre oito concorrentes de alto nível. Nessa sesquicentenária instituição de ensino humanístico (da qual foi professor emérito), respondeu, interinamente, por duas cátedras de literatura – vagas pelo falecimento de Álvaro Lins e pela aposentadoria de Afrânio Coutinho; integrou o Conselho de Curadores e o Conselho Departamental; chefiou, durante longo tempo, o Departamento de Português e Literatura; e, por coroamento, ascendeu ao posto de diretor do velho Internato e à alta hierarquia de presidente da Congregação de Catedráticos, muitos dos quais haviam sido professores seus.

Dentro das salas de aula, no ensino secundário e no superior; em cargos de administração escolar, no país e fora dele; em vastíssima atividade do magistério da pena (livros didáticos, teses de concurso, ensaios doutrinários etc.), desempenhou ininterrupta e fecunda atividade. Foi professor titular da Faculdade de Humanidades Pedro II; ensinou na Escola de Aeronáutica dos Afonsos; nos Cursos de Aperfeiçoamento de Professores, do Instituto de Educação; na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro; na Universidade Santa Úrsula. Serviu os cargos de diretor do Colégio Pedro II-Internato; diretor da Casa do Brasil na Grã-Bretanha; diretor do Departamento de Educação Técnico-Secundário; diretor do Instituto de Pesquisas Educacionais; diretor da Escola Técnica Sousa Aguiar. Pertenceu a órgãos colegiados federais, como a Comissão Nacional do Livro Didático, o Conselho Nacional do Serviço Social e o Conselho Consultivo da Fundação Casa de Rui Barbosa. Atuou, como examinador, em concursos para titular e livre-docente, em várias universidades federais.

Membro efetivo da Academia Brasileira de Filologia; da Academia Brasileira da Língua Portuguesa, da Sociedade Brasileira de Língua e Literatura; do Círculo Linguístico do Rio de Janeiro; da Sociedade de Estudos Filológicos de São Paulo; do PEN Clube do Brasil; da Associação Brasileira de Educação. Membro temporário (1962-1964) do Portugueses Language Committee, da Inglaterra; membro honorário da Academia Cearense da Língua Portuguesa.

Quando se aposentou, em 1982, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro conferiu-lhe, por unanimidade, em sessão solene, a láurea de Cidadão Benemérito, por serviços relevantes à educação e à cultura. E, em 1985, a Câmara dos Vereadores de sua cidade natal outorgou-lhe, também por unanimidade, a Medalha Pedro Ernesto, a mais importante distinção concedida a um carioca.

Possuiu, além dessas, as seguintes condecorações: Ordem do Mérito Judiciário do Trabalho, conferida pelo Tribunal Superior do Trabalho, na área de educação; Medalha Oscar Nobiling (de Mérito Linguístico e Filológico); Medalha Anchieta, Medalha Rui Barbosa; Medalha Pedro II; Medalha Tamandaré; Medalha José de Alencar.

Autor de numerosos estudos linguísticos e literários, e de obras didáticas –, estas últimas de larga influência nos rumos do ensino de português no país.

Morreu aos 22 de junho de 1991, na Casa de Rui Barbosa, entre seus pares do Círculo Linguístico. Fazia conferência sobre poema de Manuel Bandeira. Só a morte súbita interrompeu-lhe a palavra: morreu vivo.

 

OBRAS

I Trabalhos filológicos

  1. Através da “Oração aos moços”: tentativa de interpretação estilística de Rui Barbosa. Rio de janeiro, 1949.
  2. Oração aos moços, de Rui Barbosa (com estabelecimentos do texto, prefácio e breves notas explicativas). Edição nacional promovida pelo Congresso Brasileiro de Língua Vernácula em comemoração do centenário de Rui Barbosa, por proposta do mestre Sousa da Silveira, aprovada pela ABL. Rio de Janeiro, Imprensa Nacional, 1949.
  3. “O ritmo na prosa oratória de Rui”, (em O Globo, de 7.11.1949).
  4. Discurso no Colégio Anchieta, de Rui Barbosa (com estabelecimento do texto, prefácio e breves notas explicativas). Rio de Janeiro, Fundação Casa de Rui Barbosa, 1981.
  5. Contribuição para o estudo da língua de Castro Alves: explicação gramatical e literária do poema “Vozes d’África” – Monografia inédita, laureada com o prêmio Centenário de Castro Alves, da Secretaria Geral de Educação e Cultura do Distrito Federal, em 1946.
  6. Uma preposição portuguesa: aspectos do uso da preposição a na língua literária moderna. Tese de concurso para a cátedra de português do Colégio Pedro II. Rio de Janeiro, 1954.
  7. O problema da análise literária: teoria e aplicação – Monografia inédita, laureada com o prêmio Carlos de Laet de 1956 (Prêmios municipais de literatura, instituídos pela lei nº 793, de 28 de abril de 1954).
  8. “Sistema gramatical da língua portuguesa”, na Enciclopédia Delta-Larousse. Rio de Janeiro, tomo VI, 1960.
  9. “Sobre o sincretismo de a e em no exprimir direção”, em Estudos em homenagem a Cândido Jucá (filho). Rio de Janeiro: Simões, 1969.
  10. “Pontos nos is: o estilo de Guimarães Rosa”, em Boletim UEG, nº 40, agosto de 1969, Rio de Janeiro.
  11. “Uma elegância idiomática em declínio: o objeto direto preposicional”, em Informativo da Fundação Getúlio Vargas, nº 6, ano II, Rio de Janeiro, 1970.
  12. Subsídios para o estudo da partícula ‘e’ em algumas construções da língua portuguesa. Tese apresentada à Universidade Federal Fluminense, em prova de habilitação a Livre-docência. Rio de Janeiro, 1975.
  13. Um cultismo sintático herdado do latim medieval. Revista Brasileira de Língua e Literatura, nº 5, 3º trimestre de 1980. Rio de Janeiro, p. 30-35.
  14. “Otávio Mangabeira e o idioma nacional”, em Jornal do Brasil, 25 jun. 1986.
  15. Gramática normativa da língua portuguesa. 47ª ed. Rio de Janeiro, José Olympio, 2009. [1ª ed., 1957.]
  16. “Ouro-Velho da língua na literatura brasileira do século XX”, em Estudos universitários de linguística, filologia e literatura. Homenagem ao professor Sílvio Elia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, Sociedade Brasileira de Língua e Literatura, 1990.
  17. Dois momentos da poesia de Manuel Bandeira. Rio de Janeiro: José Olympio, 1992.

II Conferências Literárias

  1. Rui Barbosa artista. Montevidéu, 1948.
  2. Juca Mulato”, o poema da terra. Montevidéu, 1948. Ambas estas palestras foram recitadas no famoso recinto de “El Ateneo” de Montevidéu (Uruguai), como membro de Missão Cultural Brasileira enviada pelo Itamaraty ao país vizinho, em cumprimento a tratado internacional.
  3. Um clássico moderno: João Ribeiro. Proferida em sessão pública da Congregação do Colégio Pedro II, por ocasião do centenário do escritor. Rio de Janeiro, 1960.
  4. “Ode (em prosa) a um triunfador – em honra do professor Antenor Nascentes”, em Jornal do Commercio, 19 jun. 1966).
  5. Sobre o estilo de Guimarães Rosa, no Teatro José de Alencar, em Fortaleza, durante o I Simpósio Norte-Nordeste de Estudos da Língua Portuguesa, em 1976.
  6. O Colégio Pedro II e a tradição dos estudos linguísticos e literários. Aula Magna, ministrada à abertura dos cursos em 1981.
  7. Rui e o culto da língua portuguesa. Palestra no Liceu Literário Português, em 1982.
  8. Antenor Nascentes: o homem e o mestre. Palestra realizada na Associação Brasileira de Educação [ABE] em 1986.

III Livros Didáticos

  1. Anotações a textos errados. 4ª ed. Rio de Janeiro: Zélio Valverde, 1944.
  2. Teoria da análise sintática: introdução ao estudo da estrutura da frase portuguesa. 4ª ed. Rio de Janeiro: J. Ozon, 1958.
  3. “Antologia” (1ª e 2ª séries ginasiais), em Rocha Lima e J. Matoso Câmara Jr. Curso da língua pátria. 8ª ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1960.
  4. “Antologia” (3ª e 4ª séries ginasiais), em Rocha Lima e J. Mattoso Câmara JR. Curso da língua pátria. 7.ª ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1960.
  5. Português no colégio (1ª série dos cursos clássicos e científico), 16ª ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1969.
  6. “Português”, em O exame de admissão ao curso ginasial. 4ª ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1959.
  7. O programa de português no segundo ciclo, em colaboração com Mário Pena da Rocha e Raul Léllis. 3ª ed., 2 vols.. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1951.
  8. O programa de português no curso comercial, em colaboração com Raul Léllis. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1947.
  9. Leitura integral, I (para a 1ª série do ciclo ginasial), 2ª ed. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1966.
  10. Leitura integral, II (para a 2ª série do ciclo ginasial), Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1967.
  11. Base de português (para o curso de admissão ao curso ginasial e 5ª e 6ª séries primárias), 2ª ed. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 1969.
  12. Ciclo ginasial do português, (2ª ed., 2 vols). Rio de Janeiro: Reper, 1970.
  13. Manual de redação, em colaboração com Raimundo Barbadinho Neto. 4ª ed. Rio de Janeiro: FAE, 1987.

IV Direção e consultoria

  1. Coleção “Estante da Língua Portuguesa” da Fundação Getúlio Vargas, Rio de Janeiro, 1971-72. Volumes publicados:
    a) Fonética sintática, de Sousa da Silveira;
    b) Meios de expressão e alterações semânticas, de Said Ali;
    c) Textos quinhentistas, de Sousa da Silveira;
    d) O fator psicológico na evolução sintática, de Cândido Jucá (filho);
    e) Ensaios de linguística e de filologia, de Leodegário A. de Azevedo Filho;
    f) A língua do Brasil, de Gladstone Chaves de Melo;
    g) Dispersos de J. Matoso Câmara Jr. (Direção).
  2. Dicionário enciclopédico Koogan Larouse Seleções. 2 vols. Em cores.
  3. Nouveau Petit Larouse em couleurs. Tradução e adaptação à língua portuguesa. Rio de Janeiro: Larousse do Brasil, 1978 (coautoria).

 

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