Academia Brasileira da Língua Portuguesa Padrão

Emprego do pronome relativo CUJO

O pronome relativo cujo

Originado do idioma de Virgílio, cujo é um pronome adjetivo relativo, com o valor de do qual e flexões. Apresenta-se entre dois termos, denominados antecedente e consequente.

Tal pronome relativo indica a ideia de posse, com o possuidor expresso pelo antecedente; a coisa possuída, pelo consequente. No seu emprego, o antecedente e o consequente devem ser diferentes, ou melhor, não pode haver substantivo repetido: Comprei um livro cujas páginas são coloridas. De acordo com essa regra, não se pode dizer: Comprei um livro, cujo livro custou barato. Observe-se que o sujeito “cujo livro” pode ser permutado pelo pronome “que”, com o sentido de “o qual”.

O pronome cujo refere-se ao antecedente, porém concorda em gênero e número com o consequente: Fomos ao prédio cujos apartamentos são novos.

Cumpre lembrar que o cujo rejeita artigo, contudo aceita preposição conforme a regência de verbos e nomes:

  1. Conhecemos o bairro de cujas praças os casais gostam.
  2. Vamos ao sítio a cujas frutas fizeram alusão.

Sintaticamente, cujo funciona como adjunto adnominal, pois sempre concorda com o consequente. No caso da ocorrência de mais de um consequente, o pronome concorda com o primeiro deles: Aprovaram o candidato cujo retrato e documentação foram examinados.

Na linguagem atual, não se usa esse pronome como predicativo, com o sentido de “de quem”: O homem, cujo era esse caderno, saiu rápido.

Vale lembrar que a expressão “dito cujo”, de cunho popular, vai caindo no esquecimento, sendo mais usada com certo tom chistoso: Eis o dito cujo.

Na linguagem coloquial ou popular, é comum o emprego do pronome relativo “que”, destituído de função sintática, como substituto do cujo, sem que perca a função de conectivo oracional:

  1. Vi a aluna que conversei com o irmão dela.
  2. Fui ao sítio que gosto das frutas dele.

Como se percebe, o pronome “que”, o qual normalmente exerce uma função sintática, perdeu-a, formando um anacoluto como vício de linguagem, e não como uma figura de sintaxe, por estar sem um propósito estilístico.

As construções supracitadas possibilitam estas reescrituras:

  1. Vi a aluna com cujo irmão conversei.
  2. Fui ao sítio de cujas frutas gosto.

O fenômeno do acúmulo de preposições, representado pelos pares “por entre” e “por sobre”, pode vir regendo o pronome cujo, sem muita aprovação dos mais exigentes nas questões gramaticais, por exemplo:

  1. Consertaram a cerca por entre cujos arames passou um roedor.
  2. Visitamos a cidade por sobre cujos bairros voou o pequeno avião.

Apesar das dificuldades que acarreta ao usuário da língua portuguesa, esse pronome tem pontuado os textos que primam pela elegância e pela correção, podendo ser considerado um dos legítimos índices de conhecimento do idioma pátrio.

Complete as lacunas com o pronome relativo cujo:

  1. Existem árvores__________frutos são venenosos.
  2. O agricultor plantou algumas árvores__________frutos precisamos.
  3. Vamos elogiar o guarda__________ajuda nos
  4. Visitamos a igreja__________altar nossos pais se casaram.
  5. A virtude é uma essência__________perfume todos se deliciam.
  6. Conheço as pessoas__________nomes te lembraste.
  7. Conheço as pessoas__________nomes esqueceste.
  8. Os mestres são pessoas__________ordens devemos obedecer.
  9. Este é o amigo__________talento não posso atuar na peça.
  10. O político__________ideias atuei perdeu a eleição.

Gabarito:

  1. Cujos
  2. De cujos
  3. De cuja
  4. Em cujo
  5. Com cujo
  6. De cujos
  7. Cujos
  8. A cujas
  9. Sem cujo
  10. Contra cujas

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